Sindicalista alerta para a persistência do trabalho escravo doméstico e cobra políticas públicas efetivas
O trabalho escravo doméstico no Brasil continua sendo uma realidade cruel que persiste por herança colonial, alimentada pelo racismo estrutural e patriarcal presente no convívio social. É o que denuncia Maria Isabel Castro, presidente do Sindicato das Empregadas Domésticas do Maranhão, em entrevista ao JMTV.
Segundo Isabel, essa situação torna as trabalhadoras domésticas – em sua maioria mulheres negras, com condições educacionais e econômicas vulneráveis – mais suscetíveis à exploração e violações de direitos. “Apesar dos direitos conquistados, na prática não são respeitados”, afirma.
Os dados reforçam a gravidade do problema: o Maranhão ocupa a 12ª posição no ranking nacional de denúncias de trabalho escravo e análogo à escravidão. Foram 59 denúncias de trabalho escravo e 97 violações de direitos humanos registradas no estado no último ano. As cidades de São Luís, Grajaú, Imperatriz e Mirador concentram o maior número de casos identificados.
A própria trajetória de Isabel ilustra essa realidade. Trazida do interior do Maranhão para São Luís ainda criança, ela guarda na memória os anos de trabalho sem direitos. “Nessa casa eu fiquei até aos 13 anos de idade, sem estudar e só trabalhava. Praticamente eu estava num cárcere privado, porque só saía com eles, não conhecia a cidade, nem ninguém, não olhava a minha família.”
Hoje à frente do Sindicato, Isabel destaca que a Fenatrad e seus sindicatos e associações buscam políticas públicas junto ao governo federal para enfrentar, através da luta coletiva, essa grave violação de direitos humanos. “A fiscalização com efeito eficaz é de grande importância para coibir essas violações e o crime que é o trabalho escravo doméstico”, ressalta.
Confira a entrevista completa de Maria Isabel Castro ao JMTV e saiba mais sobre essa importante luta por direitos e dignidade: https://g1.globo.com/ma/maranhao/videos-jmtv-1-edicao/video/maranhao-e-o-12o-estado-com-mais-denuncias-de-trabalho-escravo-no-brasil-14246285.ghtml
