Sindicatos de todo o Brasil se mobilizam no Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo

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FENATRAD articula ações em diversos estados para denunciar condições análogas à escravidão que ainda atingem trabalhadoras domésticas

No último dia 28 de janeiro, Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, sindicatos filiados à Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas (FENATRAD) realizaram uma série de atividades em seus estados para denunciar uma realidade que persiste no Brasil: o trabalho escravo doméstico, que atinge principalmente mulheres negras e pobres.

Maranhão: alerta sobre fiscalização e orientação

No Maranhão, a diretora do SINDOMÉSTICO-MA, Maria Izabel, concedeu entrevista ao programa Bom Dia Maranhão destacando que o estado ocupa a 12ª posição no ranking nacional, com 59 denúncias e 97 violações de direitos humanos relacionadas ao trabalho análogo à escravidão.

“Nós temos um grande desafio de furar a bolha para que isso acabe, essa precarização. É fiscalização. Tem que haver fiscalização para que isso acabe”, alertou Maria Izabel, que reforçou o papel do sindicato na orientação das trabalhadoras. “Quando elas se sujeitam às jornadas exaustivas, elas já estão no trabalho escravo. A orientação é que elas não aceitem qualquer tipo de contrato e procurem o sindicato para garantia de direitos que são bastante violados hoje pela sociedade.”

Dados do Ministério do Trabalho revelam que, entre 2017 e 2023, foram flagrados 125 casos de trabalho escravo doméstico no Brasil, sendo 74% das vítimas mulheres.

Bahia: arte e resistência contra a exploração

Em Salvador, o SINDOMÉSTICO-BA participou do “Ato Contra o Trabalho Escravo” realizado na Estação de Metrô da antiga rodoviária, em parceria com a Comissão Estadual para Erradicação do Trabalho Escravo (COETRAE) e o Ministério Público do Trabalho (MPT).

O destaque ficou para a apresentação da peça “Infância Perdida”, do Grupo de Teatro da Coletiva de Mulheres Creuza Oliveira, protagonizada por Milca Martins (presidenta do SINDOMÉSTICO-BA), Rita das Graças dos Santos e Sandra Soares. A peça retrata a história de duas trabalhadoras domésticas: uma idosa de 80 anos com todos os direitos negados, e outra com carteira assinada que a conscientiza sobre a importância de lutar por seus direitos.

O evento também contou com a Exposição Memória da Chacina de Unaí, em parceria com o Sindicato dos Auditores Fiscais do Trabalho do Estado da Bahia (SAFITEBA), lançamento de edital e manifestação pública.

Piauí: qualificação e empoderamento

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Em Teresina, o SINDOMÉSTICO-PI realizou ato público enfatizando a importância da qualificação e do conhecimento dos direitos. A liderança do sindicato destacou que a qualificação faz a diferença para que as trabalhadoras se empoderem e conheçam seus direitos.

Paraíba: participação nos espaços de decisão

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O Sindicato das Trabalhadoras Domésticas da Paraíba, com liderança de Maria das Graças dos Santos, ressaltou durante as ações a importância da participação sindical em conselhos como o Conselho da Mulher e o Conselho de Assistência Social, além da necessidade de fiscalização dos órgãos competentes.

Luta permanente por dignidade

A mobilização dos sindicatos em todo o país reforça que nenhuma trabalhadora doméstica merece viver sem direitos, sem descanso e sem dignidade. Mesmo com os avanços legais, muitas trabalhadoras ainda enfrentam condições degradantes, jornadas exaustivas e violações sistemáticas de direitos.

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