FENATRAD destaca saúde das trabalhadoras domésticas em participação na Campanha Nacional pelo Trabalho Doméstico Decente 2026

A Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas (FENATRAD) participou da programação da Campanha Nacional pelo Trabalho Doméstico Decente 2026, realizada nos dias 24 e 25 de abril, no Instituto de Ciências Jurídicas da UFPA, em Belém (PA). A entidade integrou atividades como mesas de debate, oficinas com rodas de conversa e ações de serviços voltadas às trabalhadoras domésticas.

Durante a programação, a coordenadora-geral da FENATRAD, Cleide Pinto, trouxe reflexões sobre a realidade vivida pela categoria, destacando os impactos do trabalho doméstico na saúde e na vida das trabalhadoras.

“As trabalhadoras domésticas vivem uma rotina de sobrecarga e adoecimento. São problemas como fadiga, dores constantes, alergias, problemas respiratórios e outras doenças que vão se acumulando ao longo do tempo. Muitas vezes, isso acontece sem acesso à informação e à orientação adequada”, afirmou.

Cleide também ressaltou que a falta de acesso à educação e à informação contribui para o agravamento desses problemas.

“Com educação e orientação, muitas dessas situações poderiam ser evitadas. Mas, historicamente, as trabalhadoras domésticas não tiveram esse acesso, o que impacta diretamente na sua saúde e qualidade de vida”, completou.

A pauta da saúde também foi destacada pela Secretaria de Promoção à Saúde da FENATRAD, representada por Quitéria da Silva Santos, que abordou os principais desafios enfrentados pelas trabalhadoras no dia a dia.

Em sua fala, Quitéria apontou a recorrência de problemas como dores de cabeça, sobrecarga física, alergias, doenças respiratórias, digestivas e outras condições relacionadas ao trabalho. Também destacou os riscos associados ao uso de produtos de limpeza sem orientação adequada e a falta de preparo para lidar com essas situações.

“Muitas trabalhadoras adoecem sem saber a causa. Falta orientação sobre o uso de produtos, alimentação e cuidados com a saúde. Se tivéssemos acesso à informação, muitos problemas poderiam ser evitados”, destacou.

Outro ponto levantado foi a dificuldade de acesso à informação e aos meios digitais por parte de muitas trabalhadoras, o que limita o alcance de ações de orientação e apoio.

“Muitas trabalhadoras não têm acesso à internet ou celular, o que dificulta ainda mais chegar até essas mulheres. E a realidade é ainda mais grave do que os números mostram”, ressaltou.

A dirigente também chamou atenção para situações de violência no ambiente de trabalho, especialmente a violência verbal, muitas vezes naturalizada e invisibilizada.

A participação da FENATRAD na programação reforça a importância de ampliar o debate sobre saúde, segurança e direitos das trabalhadoras domésticas, dando visibilidade às condições reais enfrentadas pela categoria e fortalecendo a luta por melhores condições de trabalho.

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