1º Encontro de Conscientização sobre a Segurança e a Saúde no Trabalho Doméstico ocorre em Sergipe

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O 1º Encontro de Conscientização sobre a Segurança e a Saúde no Trabalho Doméstico foi um dia de cuidados, com exame de vista, atendimento psicológico, palestra com nutricionista, momento de beleza, exibição do filme A Empregada (Dir. Paul Feig, 2025) pelo palestrante Zezito de Oliveira, do Ponto de Cultura Ação Cultural, e vários debates sobre a realidade das trabalhadoras domésticas em Sergipe e no Brasil.

Na sede do Sindoméstica/Se, na sexta-feira, dia 31 de julho, o Encontro também marcou a conclusão da primeira etapa do Curso de Informática realizado com o apoio da FITH (Federación Internacional de Trabajadoras del Hogar), Programa Trabalho Doméstico Cidadão (TDC – Nordeste), Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas (Fenatrad) e Central Única dos Trabalhadores (CUT).

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Quitéria Santos, diretora da CUT-SE e presidenta do Sindoméstica/SE, deu um alerta às trabalhadoras domésticas nesse dia. “Trabalhadora, se você for num posto de saúde, não tenha vergonha de dizer: eu sou trabalhadora doméstica. Ficar invisível nos prejudica. Não diga que é dona de casa, que isso não é emprego… A gente é trabalhadora e o nosso trabalho é digno. Vamos lembrar também que voto não tem preço, tem consequência”.

Formação e conquistas da luta

A vice-presidenta do Sindoméstica/Se, Adinete dos Santos Canuto, chamou cada trabalhadora doméstica que concluiu a primeira etapa do Curso de Informática para entregar o Certificado e uma bolsa com brindes e presentes.

“Quero apresentar as companheiras que ficaram com a gente do dia 27 de junho até hoje, todos os sábados, participando do Curso de Informática, tendo atendimento com nutricionista, com psicóloga, participando de oficina de artesanato, tendo acesso à cultura, através da exibição e debate de filmes sobre a realidade da trabalhadora doméstica”, agradeceu a diretora do sindicato Adinete Canuto.

Carol Rejane, vice-presidenta da CUT-SE, presente na atividade, defendeu conscientização política, união e formação sindical para o fortalecimento das trabalhadoras domésticas de Sergipe.

“Sindicato é lugar de aprendizado. Independente do nível de educação, nós temos o nosso conhecimento. Isso ninguém nos tira. Nós, enquanto classe trabalhadora, podem nos tirar muitas coisas, mas o conhecimento, isso ninguém nos tira. E o conhecimento faz com que nos tornemos mais fortes. Sempre é muito difícil a nossa luta. Olhe a dificuldade que enfrentamos agora para aprovar o fim da jornada 6×1 no Brasil. Então, sindicato é o nosso lugar de união, fortalecimento político, formação, estudos e é lugar para refletirmos juntas sobre nossas atitudes. Precisamos estar atentas para não votar em parlamentares que prejudicam a classe trabalhadora”, afirmou Carol Rejane, vice-presidenta da CUT-SE.

Perfil do trabalho doméstico em Sergipe

Para mostrar que a política é capaz de transformar a vida da classe trabalhadora, a coordenadora e economista do Dieese, Flávia Rodrigues, informou que após a regulamentação do trabalho doméstico no Brasil, no começo de 2013, com a Proposta de Emenda Constitucional nº 72, conhecida como a PEC das Domésticas, assinada pela presidenta Dilma Rousseff, o trabalho doméstico formal cresceu no Brasil. Infelizmente, anos depois, a pandemia do Coronavírus gerou demissões em massa de trabalhadoras domésticas no Brasil.

Quitéria Santos, presidenta do Sindoméstica/Se, explicou que a queda do emprego formal da trabalhadora doméstica prejudica o acesso aos direitos conquistados no trabalho doméstico.

Segundo a economista do Dieese, Flávia Rodrigues, existem em torno de 6 milhões de trabalhadores domésticos no Brasil. A partir de dados do IBGE de 2025, Rodrigues explicou que existem, em Sergipe, 49 mil trabalhadores domésticos, sendo que 46 mil são mulheres, ou seja, o trabalho feminino representa 92% do trabalho doméstico. Além disso, em Sergipe, 80% tem a idade entre 30 e 59 anos, e 86% das trabalhadoras domésticas são negras.

Ana Paula Alves de Oliveira Melli, representante da FITH, reforçou a importância da valorização do trabalho doméstico. “Trabalho doméstico está inserido na política de cuidados. Limpar, cozinhar, cuidar das crianças e dos idosos é trabalho doméstico, é política de cuidados. Como um trabalho tão importante como esse, que é cuidar de tudo que tem mais valor na vida das pessoas, como é que esse trabalho não é valorizado?”, questionou Ana Paula.

“A gente luta para que os direitos das trabalhadoras domésticas sejam respeitados. A gente tem uma lei internacional, a Convenção 189 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) que diz que o trabalho doméstico é trabalho, e que a gente tem que ter seguridade social, proteção social, tem que ter jornada, salário, direito de ir ao sindicato… É preciso fazer valer esses direitos para que sejam superadas todas as formas de desvalorização do trabalho doméstico em nossa sociedade”, alertou Ana Paula.

O 1º Encontro de Conscientização sobre a Segurança e a Saúde no Trabalho Doméstico também contou com palestra e atendimento da psicóloga Gislaine Araújo, da advogada Mônica Jaciara e da nutricionista Natielly Lima.

Fonte: transcrição da CUT Sergipe.



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