
Delegação da entidade esteve no ato de 7 de setembro e levou para a manifestação a defesa dos direitos das trabalhadoras domésticas e a denúncia do caso de Sônia
Dirigentes da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas (FENATRAD), juntamente com representantes do Conselho Nacional das Trabalhadoras Domésticas (CNTD), participaram, no dia 7 de setembro, do Grito dos Excluídos e Excluídas, em Brasília (DF).
A delegação participou da mobilização realizada na Praça Zumbi dos Palmares, levando para o espaço de manifestação as principais reivindicações das trabalhadoras domésticas e a denúncia de situações de exploração e trabalho análogo à escravidão que ainda atingem a categoria.
Tradicionalmente realizado no dia 7 de setembro, o Grito dos Excluídos e Excluídas é uma manifestação popular que busca dar visibilidade às demandas de grupos sociais historicamente excluídos e questionar as desigualdades presentes na sociedade. Em sua 32ª edição, a mobilização teve como tema “Vida em Primeiro Lugar!” e como lema “Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!”.

Para a coordenadora-geral da FENATRAD, Cleide Pinto, a presença das dirigentes sindicais das trabalhadoras domésticas no Grito dos Excluídos foi uma oportunidade de ocupar um espaço de mobilização social para denunciar a realidade vivenciada pela categoria.
“A FENATRAD, junto com o Conselho Nacional das Trabalhadoras Domésticas, esteve presente em Brasília com uma delegação de trabalhadoras domésticas dirigentes no Grito dos Excluídos e teve um momento de fala”, destacou.
Durante sua participação no ato, Cleide também chamou atenção para o caso de Sônia, trabalhadora doméstica que, segundo a entidade, foi resgatada de uma situação de trabalho análogo à escravidão e posteriormente retornou ao local onde era explorada.
De acordo com a coordenadora-geral, a situação teria ocorrido após o responsável pela exploração alegar que Sônia não seria uma trabalhadora, mas “da família”.
“Sônia é uma trabalhadora doméstica que foi resgatada do trabalho escravo e o seu escravocrata conseguiu pegá-la de volta alegando que ela não era uma trabalhadora, ela era da família. E ela voltou para o cativeiro”, denunciou.
O caso, para a FENATRAD, evidencia uma das formas mais perversas de invisibilização do trabalho doméstico: a ideia de que a trabalhadora faz parte da família e, por isso, não precisa ter seus direitos trabalhistas reconhecidos.
Cleide ressaltou que a escolha da Praça Zumbi dos Palmares para a mobilização também reforçou o caráter simbólico da manifestação e a importância de denunciar situações de violação de direitos.
“O Grito dos Excluídos em Brasília foi ali no Monumento Zumbi dos Palmares, na Praça Zumbi dos Palmares, e é o local perfeito para a gente reivindicar e falar de todas as demandas do nosso trabalho doméstico que está sendo negado”, afirmou.
A dirigente também criticou a naturalização de situações de exploração e defendeu que o trabalho doméstico seja reconhecido e respeitado como uma atividade profissional, com direitos e dignidade.
“É um absurdo acharem natural o trabalho doméstico escravo”, declarou.
