
Companheiras e companheiros, trabalhadoras domésticas de todo o Brasil,
Eu quero falar hoje com vocês não apenas como coordenadora-geral da Fenatrad, Cleide Silva Pereira Pinto.
Mas como companheira de luta.
Nós sabemos o quanto custou chegar até aqui. Nada do que conquistamos caiu do céu. Cada direito teve luta, organização, mobilização e resistência das trabalhadoras domésticas brasileiras.
Por isso, neste segundo turno, eu quero fazer uma pergunta para todas nós: Como vamos ficar se Lula perder?
Essa não é uma pergunta para causar medo. É uma pergunta para provocar reflexão. O que pode acontecer com as políticas de valorização do trabalho doméstico? O que acontecerá com as políticas de cuidado? Com a luta pela formalização? Com a fiscalização do trabalho? Com a proteção das mulheres trabalhadoras? Com os direitos que ainda precisamos conquistar?
Nós sabemos que nenhum direito está garantido para sempre. A história dos trabalhadores mostra isso.
Quando a classe trabalhadora se desmobiliza, quando deixa de acompanhar a política e de defender seus interesses, existe o risco de perder espaço, voz e capacidade de negociação.
E nós não podemos permitir que isso aconteça. Nós, trabalhadoras domésticas, somos milhões de brasileiras. Somos mulheres que acordam cedo, pegam transporte, deixam seus próprios filhos para cuidar dos filhos de outras famílias. Somos cozinheiras, babás, cuidadoras, diaristas, mensalistas, passadeiras, mulheres que mantêm tantas casas funcionando.
Durante muito tempo, o nosso trabalho foi invisibilizado. E quando conseguimos avançar, foi porque nos organizamos.
Por isso, eu quero dizer a cada companheira: Não trate essa eleição como se ela não tivesse nada a ver com a sua vida.
Tem a ver, sim. Tem a ver com o nosso salário. Tem a ver com nossos direitos. Tem a ver com aposentadoria.
Tem a ver com emprego. Tem a ver com políticas de cuidado. Tem a ver com combate à violência contra as mulheres.
Tem a ver com o reconhecimento de que trabalho doméstico é trabalho e que trabalhadora doméstica é trabalhadora como qualquer outra.
E precisamos olhar também para o futuro. Se Lula perder, nós precisamos perguntar: quais políticas serão mantidas? Quais poderão mudar? Que espaço teremos para continuar apresentando nossas reivindicações?
E se Lula ganhar, também não significa que podemos simplesmente cruzar os braços. Nós continuaremos cobrando. Continuaremos reivindicando.
Continuaremos dizendo que ainda falta muito para que todas as trabalhadoras domésticas tenham carteira assinada, direitos respeitados, salário digno, jornada justa e proteção social.
Nós não somos propriedade de governo nenhum. Nós somos uma categoria organizada.
A FENATRAD não existe para ficar em silêncio diante de nenhum governo. Nós existimos para defender as trabalhadoras domésticas.
Mas é justamente por isso que precisamos olhar com muita responsabilidade para o momento que estamos vivendo.
Eu quero pedir às companheiras: conversem umas com as outras. Conversem nas associações, nos sindicatos, nas comunidades, nas redes sociais.
Leiam as propostas. Olhem para a história.
Perguntem quem esteve ao lado das trabalhadoras e quais compromissos estão sendo apresentados para o futuro.
Não entreguem o seu voto sem pensar.
O voto é de cada uma de nós. Mas a nossa responsabilidade também é coletiva.
Porque aquilo que for decidido nas urnas vai influenciar o país em que nós vamos trabalhar, criar nossos filhos e construir nossa velhice.
Nós já fomos consideradas invisíveis. Hoje nós temos voz. Hoje nós temos organização.
Hoje temos uma federação nacional. E essa voz precisa ser ouvida.
Então, companheiras, neste segundo turno, vamos participar. Vamos votar com consciência. Vamos votar lembrando de onde viemos e pensando para onde queremos ir.
E, qualquer que seja o resultado, uma coisa precisa ficar muito clara:
A FENATRAD continuará de pé. Continuaremos nas ruas. Continuaremos nos sindicatos.
Continuaremos no Congresso, nos espaços de participação social e onde for necessário.
Continuaremos cobrando direitos. Continuaremos enfrentando a informalidade. Continuaremos lutando contra o racismo, o machismo, a violência e a exploração.
Porque nós aprendemos uma coisa ao longo da nossa história: direito que não se defende pode ser ameaçado.
E nós não vamos permitir que a história das trabalhadoras domésticas brasileiras volte para trás.
Companheiras, vamos juntas. Com coragem. Com consciência. Com organização. Com memória.
E com esperança de construir um Brasil onde nenhuma trabalhadora doméstica precise escolher entre trabalhar e ter seus direitos respeitados.
Viva as trabalhadoras domésticas do Brasil Viva a organização sindical!
Viva a FENATRAD!
E que a nossa luta continue cada vez mais forte!
