
O cuidado não é uma “ajuda”: é trabalho, é sustento, é profissão. No Brasil, as mulheres dedicam em média 21,3 horas por semana ao trabalho doméstico e de cuidado não remunerado, enquanto os homens dedicam 11,7 horas (IBGE, PNAD Contínua, 2022).
Para as trabalhadoras domésticas, o cuidado atravessa casa alheia e casa própria, filhos, pessoas idosas, doentes, e até sua própria saúde. A pesquisa “Quem cuida e quem se importa – reconstrução dos cuidados no mundo pós-pandemia” (Louisa Acciari & Sabah Boufkhed, 2025) mostra que muitas enfrentam informalidade, jornadas exaustivas, abuso de poder e riscos à saúde, revelando que a exploração é estrutural e atravessa gênero, raça e classe.
Como lembra Louisa Acciari: “A abordagem conceitual, que consiste em justificar a importância das trabalhadoras domésticas pelo seu lugar na economia do cuidado, perde de vista os quase cem anos de luta pelo seu reconhecimento como categoria profissional que produz e merece direitos trabalhistas.”
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